17.5.09

Momento.

Agora, todas as vezes que se cruzassem, lembrariam de um momento terno, sorririam em alegria saudosa e sentiriam vontade de dizer um comentário qualquer sobre o tempo nublado, para que tivessem a atenção um do outro. Ela desejaria que ele se oferecesse para carregar seus livros; ele esperaria por um abraço, um beijo ou que fosse um sorriso de carinho.

E cada pequeno momento desses alimentaria daquela forma quase, mas não satisfatória, duas famintas almas apaixonadas.

8.5.09

volta.

Disse a menina de olhos tão escuros como dois velhos poços secos que se arrastaria fugaz pelas sombras dos rodapés enquanto se alimentaria dos segredos que fossem lá jogados, para serem esquecidos. Para que não fossem esquecidos, para que se conservassem num estado permanente de vergonha em um antigo álbum usado.

11.10.08

Eu queria compôr uma canção mais ou menos assim:

Que começasse com a beleza de um dia cinza. Falasse dos contrastes de suas cores mal-iluminadas e como a luz menos óbvia nos permite ver, de fato, as coisas.


Depois passaria para o milagre de ver água cair do céu. Ao poucos, a penugem quase invisível cobrindo a tudo como um inocente acontecimento casual. Falaria também da brisa, que muitas vezes vem junto, para fazer dançar os fios soltos dos cabelos alheios. O começo de uma sinfonia que não se explica.


Seu refrão destacaria o ponto alto: alguns guarda-chuvas se abrindo lindamente para caminhar no asfalto espelhado. Úmidos assim, os prédios, as árvores, os postes... ficariam pintados com um tom mais vívido do que suas cores habituais. A brisa se transforma em vento, a penugem em gotas sóbrias e a sinfonia finalmente tem um som.


Em seu final, as nuvens se tornariam mais brancas e menos densas. As gotas sumiriam e regressaria à casualidade do começo. Os guarda-chuvas fechariam. O vento seria brisa novamente. E o rastro molhado ficaria para quem quisesse sentir a essência acolhedora de seu milagre.


Mas, é uma pena, pois não tenho a arte dos compositores...